Tudo O QuE PodE DaR.

Só quando se gosta se sabe vestir o que se despiu. Há uma roupa debaixo da pele de que apenas os amantes se vestem. Crer que possas ver no despido o que de despido em mim possa haver é acreditar que nesse ver tens os olhos de submarino capazes de me visitar o mar. Não... Continue Reading →

AtendeR.

A casa onde não cabesO que não te deixam serUm invisível espaço ondeCrescer possa um silêncioVerde da paz sem atropeloA ser verdade o lugar ondeO adormecer possa sonharUm tipo ledo de amanhecer. Haver na tristeza branca daCamisa que se escolhe paraVestir um não ter para onde irSem a ninguém o poder dizerComo se ao barco... Continue Reading →

A ViA MaiS PobrE!

Numa teimosia ingénua, a raiar a estupidez, reconheço, acalento quase sempre a esperança de que é possível falar de alguém - à parte situações gritantes de atropelo aos valores estruturais de respeito ao outro - sem recorrer ao insulto se acontece divergirmos das suas ideias, das suas opções de vida ou doutros quejandos. Mais do... Continue Reading →

ConsubstanciaL.

Um pai sugere sempre um filho e este um pai; um pai e um filho sugerem sempre uma mulher e mãe, seja em que dia for, seja em que circunstância for. Assisto, feliz e expectante, ao desafio contemporâneo do florescimento doutras possibilidades de paternidade e de maternidade, de masculinidade e de feminilidade e de parentalidade.... Continue Reading →

PodE PoiS!

Pode pois a luz o que não pôde a minha luz tão ausente e, porém, tanta luz presente no ver que tantas vezes não sente. Se me disser feliz há tanto de mim que mente e, todavia, tão sorridente a cada dia novo o novo que me permite. Podes tu tão mais do que eu... Continue Reading →

PoR AmoR.

Por amor Amor puro Por ti fui eu Que me quis Tão mais feliz Do suposto ser A natural raiz do Que se apresenta No que é vindouro! 2021, 3 de Março

DE LugaR NenhuM.

O peso inteiro duma mão ou o colosso do braço; o peso inteiro da outra mão, longitudinal o braço do guindaste dum porto. O corpo atracado no impasse da viagem. A fotografia pondo ferrugem no que capta triste ou o paradoxo dum barco exangue no terreiro duma estética conveniente; o momento para sempre da imagem... Continue Reading →

EccE HomO

A Religião, sabemo-lo, não ensina nem o mundo, nem a viver nele. É um ‘como’ viver, estabelecendo uma conexão entre este agora material e um porvir imaterial. E daí a textura ética de cada indivíduo não melhora, nem piora em função de ser ou não ser religioso e dentre os religiosos qual a religião que... Continue Reading →

AS ParedeS.

Dás-me o tempo que me tirasteCuras-me do que me adoecesteVeneno doce o teu amor avessoRoupa fria que arrefece o corpoEstação dum só dia a PrimaveraQue nega a própria a árvore doFruto onde cresce e se oferece. 2021, 20 de Fevereiro

LutuosO.

Avenidas lutuosas de gente mascarada E pergunto por onde expandir-nos cidade? Vejo tão de perto tanta gente carregada De pesos escondidos nos olhares rentes De chão como se o horizonte se fechasseAo amanhecer do Sol por onde respirar. 2021, 3 de Fevereiro

A PossibilidadE DA TernurA.

À medida que a vida se nos expande ela também se nos encolhe. Como se a dilatação do tempo fosse o tempo correlato da escassez. É nesse corredor que se estreita quanto mais se alonga que a curva do outeiro se aproxima cumprindo a voz que nos chama assim que nascemos. Esse puro milagre e... Continue Reading →

EntrudO.

Soubesses mascarada a dor que trago no sorriso de andar sem saber por onde nem quem; aquele mesmo que regressado do inconcebido caminho faz por ter passado os alinhavos do futuro seguro na raiz de nenhum vaso e dirias jamais ter conhecido quem te foi inventado porque em nenhuma mentira terias acreditado. Logo tu, tão... Continue Reading →

A PropósitO DE TudO!

Mário Cesariny num poema notável disse como ninguém a relação ímpar entre a sombra e a luz. Leva uma vida entender a luminosidade - digo isto porque após a infância houve um eclipse dessa solaridade adjectiva e as sombras ganharam a infâmia duma espécie de direito de cidade. Um rapto abjecto da possibilidade serena da... Continue Reading →

DisponibilidadE.

Quando permitimos que a luz nos ilumine, Quando permitimos que o ar nos respire, Quando permitimos que o incenso nos acolha, Quando permitimos que a pedra nos sinta, Quando permitimos que da oração O Verbo O corpo habita, o amor ama a e vida vive... E somos! 2021, 27 de Janeiro

Pelo MeU PrópriO TraçO.

Sarte dizia que o inferno são os outros. Talvez! Mas que outros são esses? Cada vez mais intuo que são os nossos próprios eus. Aliás, acho mesmo que o maior desafio é o de sabermos habitar a nossa particular ortonomia, viciados que estamos na nossa multitude, recorrendo ao não menos pessoano Withman. Quando confrontado com... Continue Reading →

Da UsurA…

Cada qual o carrego das pedras Nas quais reside a forma sem o Saberem ou um Pedro que Deus Quis ter. Para uns, promontórios, Para outros, caminhos, para outros Ainda, armas de pesados rancores! 21 Janeiro, 2021

OpostoS.

Eu, que já tão lento sou de demora Ando porém tão depressa de cansaço De primeiro ser o lugar que queria por Derradeiro. Se tenho o ressoar do canto Da alma no mar da água, porque invento Desertos tão frios e tão quentes de opostosQue mentem o que aprendi em concordar?! 2021, 18 de Janeiro

Como Se…

Ah! o dizer que te amo, ainda assim, Parecer tão pesado face à leveza que Sinto; como se a pluma estivesse para A palavra, como o ar está para ti! 2021, 15 de Janeiro

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