SE TU SentireS SaudadeS!

Meu amor apartado, vê como nenhuma lonjura nos demora o que sentimos perto. Basta que abramos aquele ver que nos acontece dentro, tal e qual como o percurso que sabemos no ínfimo pormenor - o lugar do banco no jardim, o sítio que a cor das flores coloca em nós para as receber, aquele homem... Continue Reading →

UmA SÓ VoZ.

Soubera por instinto que entre os teus lábios e os meus, entre as minhas mãos e as tuas, entre os meus olhos e os teus demoraria a acontecer um novo beijo, um novo afago, um novo olhar e por isso trago comigo todos os beijos, todos os afagos e todos os olhares que trocámos. Nenhum... Continue Reading →

Onde Cantado Coube Um País

Há uma lírica portuguesa que tem em Janita Salomé, José Afonso, Né Ladeiras, Fausto Bordalo Dias e Pedro Barroso cinco continentes de maravilha - lugares vocais onde nas palavras cabia um país que tende a desaparecer. Um Quinto Império reerguido na exiguidade dum território que entretanto encolhera sem deixar de prosseguir a quimera doutros sonhos... Continue Reading →

A CasA.

A casa, as casas, a casa de cada um de nós tem casas que muitas vezes não vivemos; este tempo, em certa medida um tempo de reclusão pode ser transformado num tempo de atenção ao que nos vai dentro, ao que nos habita, aos nossos inquilinos dos afectos, de redescoberta do espaço e dos seus... Continue Reading →

PoR MeuS PróprioS PéS!

É um paradoxo quase caricato perceber o quanto é errada a premissa de que vivemos sob o peso absurdo da Cultura do Corpo quando em verdade, o corpo é quase sempre uma testemunha impotente da cultura do ego (tanto aquele que exacerba, como aquele que diminui) e devido a ele sofre todas a sorte de... Continue Reading →

OS VotoS.

Vim do lugar longínquo de mim onde ninguém vi além de ti que me olhavas duma forma onde não me reconheci. Hoje sou um lugar onde tudo se aproxima como se soubesse que ao rodar os braços num peão tocasse todos por igual como igualmente todos me tocariam a mim. A felicidade é equidistante -... Continue Reading →

NãO SabeR.

Sabendo-nos finitos, ainda assim, é um saber que não se sabe. Porém, num determinado ponto, num dia específico, um momento particular abre esse saber ao sentir que nenhum saber transmite. Acabamos muitos vezes e vamos vivendo outros no caber que os outros nos deixam ser; todavia, quando esse sentimento se sente é como o sopro... Continue Reading →

PosteridadE.

Confiar não é ir, é fazê-lo sem a certeza do chegar. E que me importa se partido parto todas as vezes que inconjunto me sinto e bebo a sede da unidade que prossigo na malga onde se derrama e assim a perco. E nos cacos de gumes suplicantes firo as mãos e duplico o dano... Continue Reading →

SuposiçãO.

Se pudesse, do ramos da árvore desprender-se-iam todas as folhas que entristeceram. É justo que se deixem cair do meu ser - esse abismo generoso de morrem por mim o que em mim morre e que não sabe desprender-se. No seu tapete ao chão ponho meus pés hesitantes e no seu espaço a vez há... Continue Reading →

AS Estátuas DE BessA-LuíS.

O colosso Agustina Bessa-Luís escreveu há muitos anos no programa do concerto da Simone de Oliveira no TNDM II, cito de cor e certamente de forma imprecisa, que ela viera ao mundo para acordar as estátuas. É um programa de vida deslumbrante mas, convenhamos, é também um vate de solidão e de condenação à inquietude... Continue Reading →

O BeijO DA TardE.

Corre devagarinho a tarde sem vento nem lamento. Corre a luz entreaberta do Sol e sobre o rosto não há sombra de saudade, ainda que muito tenha ido sem que o tenha pedido ou que o tenha impedido, ambas faces da ilusão de que somos capazes ou incapazes do fazer e do desfazer. Porém, não... Continue Reading →

A CorrentE DO AR!

Estou condenado a ser feliz! Nessa conjura todo o meu ser escuro se me apresenta; porém, de nada adianta! Por mais que me esforce, brota duma vontade a mim alheia, promana duma fonte ignota, que ostensivamente me ignora, um sentido de gratidão, um rir contagiante, por mais tolo que por vezes possa ser, uma imprecação... Continue Reading →

ThE MaN IN ThE MooN.

É no olhar que ao ver água se faz água no ver que a própria água enforma; é na garganta que se faz água quando é na garganta que a sinto passar; é nos pés que mergulho o ser quando a sua razão de ser é nessa água que a vão beber. No longínquo aparato... Continue Reading →

Madame X, QuandO A CoroA FicoU NO CamariM!

Após múltiplas transfigurações, Madonna, personagem de si mesma, dá o epónimo de Madame X à sua própria história de vida. Por várias ordens de razão, todos os artefactos cénicos, só na aparência despojados e só na aparência opulentos, são o centro de todas as periferias da sua heteronomia. No todo coerente nesta espécie de auto-biografia... Continue Reading →

UM AzuL DE PodeR IR.

Nada pude quando o nada pôde mais e é perante todos a desfaçatez de rimos o que escondemos. A mais íntima das lágrimas jamais dilui o sal na água. É um lago. É isso! Um lago: a ideia vã do curso dum rio ou vazias as vastas saias dos mares; apenas a sua ideia e... Continue Reading →

O SoL DA ChuvA.

Quando nos abeiramos e na fronte cansada pomos um beijo e nasce um sorriso. Ah minha tia que em ti todos os idos, um espelho onde me cabe um pai e se porventura um filho como seria bom tê-lo agora a meu lado porque chove, agora que sou tão crescido que dobrei o cabo da... Continue Reading →

CasO PreciseS.

Porquê esta sensação de fim se na aparência tudo principia revivo. E se de gratidão se fazem os dias porquê a nostalgia e o cheiro rente da maresia? E se dantes via o barco ao largo agora vejo distante a terra onde foi nado; como se acontecer não fosse mais capaz da novidade mas dela... Continue Reading →

A EscalA CertA.

O peito é um sítio estranho. Um badoneón que se expande e que que se encolhe, a taça do ar, o advento de respirar. O meu altar. O coração mora no peito porque é o peito que dói quando dói o coração, porque é no peito que se estende o estendal branco da alegria. Júbilo... Continue Reading →

A OrlA e a CidadE.

No fim dum tempo que reconhecemos como sendo um tempo nosso - a cabermos a ideia que lhe supomos do nós que idealizamos - há a expectativa dum tempo novo, isto é, dum tempo que fabrique um eu que nos faça outros, ainda que numa linha de continuidade que permita o ‘reconhecimento’ de permanências; doutra... Continue Reading →

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