O BeiraL.

Hoje é o dia de aniversário de alguém que amo. Podia dizer que amei, num acto de defesa compreensível e acima de qualquer crítica. Os amores até podem ter caducidade na sua feição diária mas no seu horizonte construíram paisagens de afecto e de sonho concretizado sem que isso peça ou implique a impostura da... Continue Reading →

O InaudíveL EscondeR

Se há um tumulto que calo é porque ainda assim falo. A fala é da soma interrompida de todos os silêncios uma só: pedidos de alerta, clamores, imprecações e orações ao baixo visando o alto, dilatações de amor e o esguio da sua míngua. Se foste foi porque chegaste e chegar é o preclaro triste... Continue Reading →

Tudo O QuE PodE DaR.

Só quando se gosta se sabe vestir o que se despiu. Há uma roupa debaixo da pele de que apenas os amantes se vestem. Crer que possas ver no despido o que de despido em mim possa haver é acreditar que nesse ver tens os olhos de submarino capazes de me visitar o mar. Não... Continue Reading →

AtendeR.

A casa onde não cabesO que não te deixam serUm invisível espaço ondeCrescer possa um silêncioVerde da paz sem atropeloA ser verdade o lugar ondeO adormecer possa sonharUm tipo ledo de amanhecer. Haver na tristeza branca daCamisa que se escolhe paraVestir um não ter para onde irSem a ninguém o poder dizerComo se ao barco... Continue Reading →

A ViA MaiS PobrE!

Numa teimosia ingénua, a raiar a estupidez, reconheço, acalento quase sempre a esperança de que é possível falar de alguém - à parte situações gritantes de atropelo aos valores estruturais de respeito ao outro - sem recorrer ao insulto se acontece divergirmos das suas ideias, das suas opções de vida ou doutros quejandos. Mais do... Continue Reading →

ConsubstanciaL.

Um pai sugere sempre um filho e este um pai; um pai e um filho sugerem sempre uma mulher e mãe, seja em que dia for, seja em que circunstância for. Assisto, feliz e expectante, ao desafio contemporâneo do florescimento doutras possibilidades de paternidade e de maternidade, de masculinidade e de feminilidade e de parentalidade.... Continue Reading →

PodE PoiS!

Pode pois a luz o que não pôde a minha luz tão ausente e, porém, tanta luz presente no ver que tantas vezes não sente. Se me disser feliz há tanto de mim que mente e, todavia, tão sorridente a cada dia novo o novo que me permite. Podes tu tão mais do que eu... Continue Reading →

PoR AmoR.

Por amor Amor puro Por ti fui eu Que me quis Tão mais feliz Do suposto ser A natural raiz do Que se apresenta No que é vindouro! 2021, 3 de Março

DE LugaR NenhuM.

O peso inteiro duma mão ou o colosso do braço; o peso inteiro da outra mão, longitudinal o braço do guindaste dum porto. O corpo atracado no impasse da viagem. A fotografia pondo ferrugem no que capta triste ou o paradoxo dum barco exangue no terreiro duma estética conveniente; o momento para sempre da imagem... Continue Reading →

EccE HomO

A Religião, sabemo-lo, não ensina nem o mundo, nem a viver nele. É um ‘como’ viver, estabelecendo uma conexão entre este agora material e um porvir imaterial. E daí a textura ética de cada indivíduo não melhora, nem piora em função de ser ou não ser religioso e dentre os religiosos qual a religião que... Continue Reading →

AS ParedeS.

Dás-me o tempo que me tirasteCuras-me do que me adoecesteVeneno doce o teu amor avessoRoupa fria que arrefece o corpoEstação dum só dia a PrimaveraQue nega a própria a árvore doFruto onde cresce e se oferece. 2021, 20 de Fevereiro

LutuosO.

Avenidas lutuosas de gente mascarada E pergunto por onde expandir-nos cidade? Vejo tão de perto tanta gente carregada De pesos escondidos nos olhares rentes De chão como se o horizonte se fechasseAo amanhecer do Sol por onde respirar. 2021, 3 de Fevereiro

A PossibilidadE DA TernurA.

À medida que a vida se nos expande ela também se nos encolhe. Como se a dilatação do tempo fosse o tempo correlato da escassez. É nesse corredor que se estreita quanto mais se alonga que a curva do outeiro se aproxima cumprindo a voz que nos chama assim que nascemos. Esse puro milagre e... Continue Reading →

EntrudO.

Soubesses mascarada a dor que trago no sorriso de andar sem saber por onde nem quem; aquele mesmo que regressado do inconcebido caminho faz por ter passado os alinhavos do futuro seguro na raiz de nenhum vaso e dirias jamais ter conhecido quem te foi inventado porque em nenhuma mentira terias acreditado. Logo tu, tão... Continue Reading →

A PropósitO DE TudO!

Mário Cesariny num poema notável disse como ninguém a relação ímpar entre a sombra e a luz. Leva uma vida entender a luminosidade - digo isto porque após a infância houve um eclipse dessa solaridade adjectiva e as sombras ganharam a infâmia duma espécie de direito de cidade. Um rapto abjecto da possibilidade serena da... Continue Reading →

DisponibilidadE.

Quando permitimos que a luz nos ilumine, Quando permitimos que o ar nos respire, Quando permitimos que o incenso nos acolha, Quando permitimos que a pedra nos sinta, Quando permitimos que da oração O Verbo O corpo habita, o amor ama a e vida vive... E somos! 2021, 27 de Janeiro

Pelo MeU PrópriO TraçO.

Sarte dizia que o inferno são os outros. Talvez! Mas que outros são esses? Cada vez mais intuo que são os nossos próprios eus. Aliás, acho mesmo que o maior desafio é o de sabermos habitar a nossa particular ortonomia, viciados que estamos na nossa multitude, recorrendo ao não menos pessoano Withman. Quando confrontado com... Continue Reading →

Da UsurA…

Cada qual o carrego das pedras Nas quais reside a forma sem o Saberem ou um Pedro que Deus Quis ter. Para uns, promontórios, Para outros, caminhos, para outros Ainda, armas de pesados rancores! 21 Janeiro, 2021

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