Fá-lo!

Quanto possas tu de beloMesmo se no impasse daTristeza, fá-lo! Di-lo altoAo ouvido incrédulo, ecoRepercutido da verdadeO que em ti oculta existe. 17 Setembro, 2021

RosA DoS VentoS

Não procurar no longeO que no perto afastoA viagem não me trazO que daqui disto porNa quietude não verQue me dá o passoDo incapaz gestoDe ser ligo fim Por princípio. Setembro, 2021

O IndevidO.

Nada me é devidoTudo me é oferecidoTudo será devolvido!O Usufruto é alimentoSobejo a quem pervagaNeste mundo a brevidade. 3.Setembro.2021

O DizereM!

Posso ser um peixeNo meu próprio mar.Posso ser isto e aquilo:Da natureza sou naturalAndarilho de sonhos queFazem de mim outro o ser! 2021, Agosto, 20

O BeiraL.

Hoje é o dia de aniversário de alguém que amo. Podia dizer que amei, num acto de defesa compreensível e acima de qualquer crítica. Os amores até podem ter caducidade na sua feição diária mas no seu horizonte construíram paisagens de afecto e de sonho concretizado sem que isso peça ou implique a impostura da... Continue Reading →

O InaudíveL EscondeR

Se há um tumulto que calo é porque ainda assim falo. A fala é da soma interrompida de todos os silêncios uma só: pedidos de alerta, clamores, imprecações e orações ao baixo visando o alto, dilatações de amor e o esguio da sua míngua. Se foste foi porque chegaste e chegar é o preclaro triste... Continue Reading →

Tudo O QuE PodE DaR.

Só quando se gosta se sabe vestir o que se despiu. Há uma roupa debaixo da pele de que apenas os amantes se vestem. Crer que possas ver no despido o que de despido em mim possa haver é acreditar que nesse ver tens os olhos de submarino capazes de me visitar o mar. Não... Continue Reading →

AtendeR.

A casa onde não cabesO que não te deixam serUm invisível espaço ondeCrescer possa um silêncioVerde da paz sem atropeloA ser verdade o lugar ondeO adormecer possa sonharUm tipo ledo de amanhecer. Haver na tristeza branca daCamisa que se escolhe paraVestir um não ter para onde irSem a ninguém o poder dizerComo se ao barco... Continue Reading →

A ViA MaiS PobrE!

Numa teimosia ingénua, a raiar a estupidez, reconheço, acalento quase sempre a esperança de que é possível falar de alguém - à parte situações gritantes de atropelo aos valores estruturais de respeito ao outro - sem recorrer ao insulto se acontece divergirmos das suas ideias, das suas opções de vida ou doutros quejandos. Mais do... Continue Reading →

ConsubstanciaL.

Um pai sugere sempre um filho e este um pai; um pai e um filho sugerem sempre uma mulher e mãe, seja em que dia for, seja em que circunstância for. Assisto, feliz e expectante, ao desafio contemporâneo do florescimento doutras possibilidades de paternidade e de maternidade, de masculinidade e de feminilidade e de parentalidade.... Continue Reading →

PodE PoiS!

Pode pois a luz o que não pôde a minha luz tão ausente e, porém, tanta luz presente no ver que tantas vezes não sente. Se me disser feliz há tanto de mim que mente e, todavia, tão sorridente a cada dia novo o novo que me permite. Podes tu tão mais do que eu... Continue Reading →

PoR AmoR.

Por amor Amor puro Por ti fui eu Que me quis Tão mais feliz Do suposto ser A natural raiz do Que se apresenta No que é vindouro! 2021, 3 de Março

DE LugaR NenhuM.

O peso inteiro duma mão ou o colosso do braço; o peso inteiro da outra mão, longitudinal o braço do guindaste dum porto. O corpo atracado no impasse da viagem. A fotografia pondo ferrugem no que capta triste ou o paradoxo dum barco exangue no terreiro duma estética conveniente; o momento para sempre da imagem... Continue Reading →

EccE HomO

A Religião, sabemo-lo, não ensina nem o mundo, nem a viver nele. É um ‘como’ viver, estabelecendo uma conexão entre este agora material e um porvir imaterial. E daí a textura ética de cada indivíduo não melhora, nem piora em função de ser ou não ser religioso e dentre os religiosos qual a religião que... Continue Reading →

AS ParedeS.

Dás-me o tempo que me tirasteCuras-me do que me adoecesteVeneno doce o teu amor avessoRoupa fria que arrefece o corpoEstação dum só dia a PrimaveraQue nega a própria a árvore doFruto onde cresce e se oferece. 2021, 20 de Fevereiro

LutuosO.

Avenidas lutuosas de gente mascarada E pergunto por onde expandir-nos cidade? Vejo tão de perto tanta gente carregada De pesos escondidos nos olhares rentes De chão como se o horizonte se fechasseAo amanhecer do Sol por onde respirar. 2021, 3 de Fevereiro

A PossibilidadE DA TernurA.

À medida que a vida se nos expande ela também se nos encolhe. Como se a dilatação do tempo fosse o tempo correlato da escassez. É nesse corredor que se estreita quanto mais se alonga que a curva do outeiro se aproxima cumprindo a voz que nos chama assim que nascemos. Esse puro milagre e... Continue Reading →

EntrudO.

Soubesses mascarada a dor que trago no sorriso de andar sem saber por onde nem quem; aquele mesmo que regressado do inconcebido caminho faz por ter passado os alinhavos do futuro seguro na raiz de nenhum vaso e dirias jamais ter conhecido quem te foi inventado porque em nenhuma mentira terias acreditado. Logo tu, tão... Continue Reading →

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